151. Sobre o soneto inexistente de meu irmão para mim

Só poderei te chamar irmão,
se a carta que te escrevo,
for como um buraco
em alguma de minhas peles.
Não porque dele vaze nada,
mas pela necessidade de reconstituí-la
tão surreal quanto antes,
mantendo a transparência
sem que me torne invisível,
ao valor paradoxal
que a partir dela
posso sentir da família.
Um enchimento,
constituído tão somente de pele,
que não permite que meus ossos
atravessem minhas outras peles,
Que não sejam esquelético anúncio da visita,
na adolescência de minha maturidade.
Para que eu possa continuar apertando forte
os ossos de suas mãos
nos nossos renascimentos,
nos nossos encontros,
até as 'desnacenças'.
Ao final desta carta,
te chamarei de irmão,
e poderei dizer que contigo aprendi,
por saber que vamos nascendo do mesmo ventre,
que não vou morrer, mas desnascer
ao lado da minha família,
e daqueles que escolhi para estarem ao meu lado,
isso porque descobri que,
de simplesmente existirem
que é possível desengravidar a existência.

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A Lógica é a genética da preguiça de criar, e a criação precisa de intensidade sendo o exercício do impossível imediato, mas, às vezes, porque não sermos um pouco indolentes?

Não 'creio' na Lógica por causa dos Ateus. Os mais consistentes propagadores das leis de Deus.

Mesmo não sendo parnasiano...

“Fuja da abundância estéril desses autores, e não se sobrecarregue com um pormenor inútil. Tudo que dizemos a mais é insípido e degradável; o espírito saciado repele instantaneamente o excesso. Quem não sabe moderar-se jamais soube escrever.”

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