Guerreiro Islâmico e seu cavalo em cores

Guerreiro Islâmico e seu cavalo

90. A pele do labirinto

O que representa o minotauro senão
a avareza de vida
da velhice prenhe de inveja
do terror da tradição à
beleza da juventude,
não do jovem.
Não será isso que a psicanálise
põe nas nossas cabeças,
chifres?

O buraco é mais embaixo
que o buraco da psicanálise,
que nasceu com o cu no pé.
E no mais
só sabe por cu no próprio cu.

Sem chifres,
sem cascos,
sou um corpo livre de personagens
com eles,
e sempre por eles,
sou um minotauro
com pathos, sou sem meios termos
descendente da avareza
um corpo mutilado pela inveja,
dos nossos descendentes, caquéticos
são rugas que,
por necessitarem de uma essência
chamam de almas.

Somos mais que
a simples fragrância
lançada, por descuido, num poço,
somos o labirinto sem paredes de nossa pele.
Não sendo desérticos,
somos na pele do labirinto,
a regurgitação do minotauro,
porque se somos mais,
somos totalmente indigestos a estes,
que nos querem devorados,
que foram nossos aliados,
que pisam em nossos brios,
e nos dizem que são nossos verdadeiros eus.

Sendo mais de muitos eus,
não posso ser chamadado de um,
nem de nenhum para qualquer eu.
Se sou da cabeça de Teseu,
serei sua vasta cabeleira,
que esconde os chifres
que de todos os Teseus
também serão minotauros.

Se for transbordante,
se for espontâneo,
serei a multidão de piolhos
que infesta a cabeleira do herói
romântico,

ou, mesmo
o que combate
a vaga que
leva as almas
e deixa os corpos
Num Cemitério dos Vivos.

Serei eu,
na jogatina das estrelas,
como o mesmo velho lôbo,
para todos,
os mesmos santos.

Serei, num passado distante,
a impossibilidade esfíngica
de um herói ecológico.

E é lógico, não serei,
se poético,
tão preso aos maneirismos,
como antes.

89. Amor portátil

Meu amor não é
do tamanho de um tudo,
simplesmente perambula,
carrego por aí,
portátil
para não estar em contato
com quem não quer meu bem.
Mas nem sempre anda comigo,
ao meu lado ou em mim,
porque, mesmo sendo pequeno
é muitas vezes mesquinho,
quando poderia ser compartilhado.
É de chumbo,
mas pode,
sem maior dificuldade,
ser derretido pelo frio
da indiferença.
Quando está comigo,
ou sou eu,
me faz sempre ouvir
música de trás pra frente,
para saber o que há
antes da música.
E porque é mesquinho,
acredita que há paz interior,
no exílio do eu,
sem os outros,
qualquer que seja.

Este é Hélio Oiticica



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60. Crime e Castigo

Essas palavras são testemunhas de que não esqueço...
testemunham em favor de lembranças...
Não porque as tenha para explicar,
os motivos, mas porque ouço o eco
dos seus significados...
Como sei seus segredos? Roubei-os,
enquanto se repetiam,
e estas palavras tem de confessar!

Se torturo as palavras,
Amarradas nos laços dos meus atos,
é porque elas nunca me deixaram esquecer,
e quanto mais as torturo,
mais elas me fazem lembrar. Esqueci?
São lembranças sobre lembranças,
Porque então mantê-las cativas,
se mesmo o nosso silêncio nos comunica?
Porque movemos o tempo entre nós,
nossas intenções explicitas!

Se estas são apenas inocentes,
é porque merecem qualquer castigo que tenham!
Se são culpadas é por se entregarem
para a própria culpa que não deveria
ser cultivada no lugar dos seus significados,
Que deveriam ser superados
para todo o tempo...

Assim, essas palavras são cada letra: uma barra,
das grades de uma cela, da prisão sempre próxima,
de onde vejo um felino sol dourado,
em longos raios oblíquos em poente
rasgando a unha, o mesmo céu virgem
privado do seu sossego,
se esfregando nos cantos das expressões,
mais vulgares,
iluminando-as,
da liberdade de não terem significado...

Vamos, sossega o mundo!
Que animal selvagem nenhum merece castigo,
de crime pior do que nunca ter existido,
e ao se pronunciar, já se inflama
vindo do interior da cela do nada...
e sentencia nosso futuro à inocência
do presente...

61. Em corpo e alma de pássaro

És uma parte de meu corpo!
Serei eu uma parte do teu,
corpo de pássaro?
Inventaram o corpo na natureza,
Forma pesada de voar.
Para algumas partes do meu corpo
que deste poderiam ser extirpadas!
E quando são,
São minhas asas!
Essas vontades
nos levantaram ao romantismo,
como único vôo possível,
para fazer valer o desencontro!
Não tomaram consciência,
que qualquer tentativa de separação
de um só corpo,
seria como a distância,
que de tão longa,
fez a volta,
Para nos encontrar,
Como a alma do pássaro,
a poesia em seu próprio estado,
Que anda,
para não se cansar
do que ainda é em vida.

62. Prole de estrelas

A Lua, que tem um eclipse só para si.
Se faz um eclipse só pra mim,
Se se esconde
Nas partes de si que se faz ver
É sempre sorriso.
Sorriso, que de tão farto
seduzirá o Sol, sempre.
Se ao procurar a Lua
Se não se encontra, acompanha o Sol
E vão passear entre as estrelas.
Mesmo sendo irmãos,
fazem filhos para povoar o firmamento,
Colonizam a eternidade.

Elegeram,
entre todas as partículas
um grão de poeira,
Para que deste
brotasse toda a poesia do universo.
E porque este grão de poeira
tornou-se bastante grande
houveram de criar os pássaros
Para ensinar às almas
que vagam por este grão
Que não se igualam
a sua prole de estrelas...

...e que estas almas não se igualam
nem à sua prole de poemas.

Poemas fecundos de almas
E almas fecundas de estrelas
Estrelas vistas através de poemas,
Durante inumeráveis eclipses da existência.

76. De Bansky para Izolag (...)

Propriedade latrina
de quem especula com as chuvas
sem se dar conta bancária
da vida redesenhada em reboco caído
úmido
De todo auxílio,
Que vêm externo,
que vêm em excesso,
porque é conseqüentemente
um militar marchando
sob suas bandas podres
que tocam alegremente seus instrumentos
através das máscaras
para câmeras silvestres
que imundam os boulevares
a serem as vistas
de quem, ao invés de cultivar flores,
cultiva antenas nos jardins.
Para todos, na jogatina parabólica,
todas as ruas são em cores
em temas populares,
De uma vez só
nos televisores
de uma vez por todas.
Sem deixar vestígios
de abrigo em abrigo, seguem as chuvas
com esse itinerário
Nova Orleans – Santa Catarina
e emergem
por todos os lados
os aviões e até os cadáveres
levando-lhes
pouca comida
e muita imprensa
Parece até
que o drama
exige uma tempestade
Faroletes de merda!

69. Para conhecer uma mulher

Vejo em você, mulher,
o amor às suas pegadas,
Coisa que, antes,
eu não sentia.
Se as reconheço, mulher,
é porque antes não te conhecia,
Eram marcas de uma rede de carne mal trançada.
Não porque seja firmemente de carne,
seria melhor assim,
mas por que era,
para mim,
um mero arremedo de fantoche,
Entre um disfarce e uma fantasia de anjo,
inconfessável fetichista,
com um sexo costurado entre as pernas?
Não, vejam que sou machista!
Contorcendo entre desejos românticos
do sexo que não brotou,
nele foi pregado.
Para conhecer, mulher,
é preciso abusar do que sou?
Será que sinto?
Se sinto é porque te conheço,
por escapar, inteira, das minhas armadilhas.

A Lógica é a genética da preguiça de criar, e a criação precisa de intensidade sendo o exercício do impossível imediato, mas, às vezes, porque não sermos um pouco indolentes?

Não 'creio' na Lógica por causa dos Ateus. Os mais consistentes propagadores das leis de Deus.

Mesmo não sendo parnasiano...

“Fuja da abundância estéril desses autores, e não se sobrecarregue com um pormenor inútil. Tudo que dizemos a mais é insípido e degradável; o espírito saciado repele instantaneamente o excesso. Quem não sabe moderar-se jamais soube escrever.”

Nicolas Boileau-Despréaux
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...deste blog é difundir o ideal da poesia compartilhada e não apropriada por aqueles que, pretensamente, se consideram autor@s. Assim, todo o conteúdo publicado neste, pode ser utilizado e modificado por qualquer um(a) que se sentir encorajad@. A única coisa não permitida é intitular-se autor. Por isso estou recorrendo à Creative Commons (veja em) para garantir este direito a tod@s!

O Conteúdo...

...deste blog serão os poemas produzidos na Residência Universitária 5 e alguns, poucos, outros reciclados durante este tempo. Esta coleção (provavelmente são algumas em gestação) não tem nome.

Modifiquem! Publiquem!

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