202. Telepatia

Se telepatia resolvesse,
mas a expectativa de comunicação
atrapalha tudo mais...

Presente (À Felipe Lobo) por Joana Guerra

O que posso te dar,
Que não me cobre, não gaste cobre, não olhe e cobre?

O que posso te dar,
Se não horas em sebos, livros de cheiros, e Coca?

O que posso te dar,
Se não poemas?
Pôr-do-sol,
Conselhos e chá...

O que posso te dar que não se configura?
Não se formata?
Sem figura, fotografia e adeus.

O que posso eu te dar,
Que me julgue satisfeita?

A-M-I-Z-A-D-E.

Num copo cheio de dias.

187. O jardim

Só no momento,
só de encontrar
a sua solidão
nas ausências
que no nosso jardim
não florescem,
mas tem por enfeites.

201. O passeio

Para quê tantas pernas
em tão poucos lugares?
Se andamos por aqui feito as tropas
Porque não fazermos as guerras bem feitas
costuradas as pernas?
Ah, as pernas amantes continuam por aí!
Seguem, entre o mesmo passo
costuradas ao longo de si.

200. Misantropia

Não são semideuses,
Somos nós humanos mesmo,
Potes cheios de vaidade...
Talvez,
algumas vezes esquecendo,
apesar de umas habilidades mixurucas
pintadas nas bordas,
somos lá os mesmos velhos mortais.

...porque errar não é questão de modéstia,
mas de 'jogo de cintura'!

Semideuses?
Por todo esse tempo,
Antes fossemos,
ao menos
teríamos superpoderes de passar o tempo!

199. Carrinho de rolemã

Um menino brinca
em carrinho de rolemã,
Para o passado do adulto
é a caricatura que mais aproxima o futuro
Para a criança apenas
um pequeno comprometimento
e a natureza reaprende a ser brinquedo
para ralar-se no seu indizível.

Para mim,
já velho,
vou admitindo,
sei lá como descrever esse momento.

A Lógica é a genética da preguiça de criar, e a criação precisa de intensidade sendo o exercício do impossível imediato, mas, às vezes, porque não sermos um pouco indolentes?

Não 'creio' na Lógica por causa dos Ateus. Os mais consistentes propagadores das leis de Deus.

Mesmo não sendo parnasiano...

“Fuja da abundância estéril desses autores, e não se sobrecarregue com um pormenor inútil. Tudo que dizemos a mais é insípido e degradável; o espírito saciado repele instantaneamente o excesso. Quem não sabe moderar-se jamais soube escrever.”

Nicolas Boileau-Despréaux
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...deste blog é difundir o ideal da poesia compartilhada e não apropriada por aqueles que, pretensamente, se consideram autor@s. Assim, todo o conteúdo publicado neste, pode ser utilizado e modificado por qualquer um(a) que se sentir encorajad@. A única coisa não permitida é intitular-se autor. Por isso estou recorrendo à Creative Commons (veja em) para garantir este direito a tod@s!

O Conteúdo...

...deste blog serão os poemas produzidos na Residência Universitária 5 e alguns, poucos, outros reciclados durante este tempo. Esta coleção (provavelmente são algumas em gestação) não tem nome.

Modifiquem! Publiquem!

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