265. A palavra

Se a arte imita a vida,
a vida limita a arte.
Assim é com a palavra,
entre outras coisas pretensiosas.
É solida quando esculpida,
e é líquida quando vivida.
A palavra se profanatiza em neologismos e
se sacraliza em banalidades
É prata, mas de ouro só o tempo.
A palavra que se apressa envelhece mal.
Vale para quem se esmerilha: perde o brilho para quem se açoda.
Sendo uma só e despejada pelo Tempo,
é essa que mora, ao mesmo tempo,
na imaginação e no mundo.
Mesmo que seja o mundo de cada um(a).

A Lógica é a genética da preguiça de criar, e a criação precisa de intensidade sendo o exercício do impossível imediato, mas, às vezes, porque não sermos um pouco indolentes?

“Fuja da abundância estéril desses autores, e não se sobrecarregue com um pormenor inútil. Tudo que dizemos a mais é insípido e degradável; o espírito saciado repele instantaneamente o excesso. Quem não sabe moderar-se jamais soube escrever.”

Nicolas Boileau-Despréaux
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